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Seguro avança como meio de proteção financeira em caso de doença grave

11/03/2019

Dentre os motivos estão o custo menor em relação aos planos de saúde, o envelhecimento populacional, a maior incidência de doenças e o crescimento de MEIs.

A cobertura do seguro de vida para doenças graves está disponível nas prateleiras das seguradoras há quase 20 anos, mas apenas nos últimos anos vem conquistando a preferência dos brasileiros. Uma prova de que a contratação está aumentando é o crescimento do volume de prêmios dessa cobertura, que em 2018 atingiu 12% e, em 2017, quase 10%, de acordo com dados da Susep.

Um dos motivos que explicam o avanço da cobertura está relacionado ao elevado custo dos planos de saúde. De 2014 até meados de 2018, o setor de saúde suplementar perdeu 3 milhões de beneficiários e, embora tenha recuperado cerca de 200 mil desde o último ano, ainda existe, atualmente, uma grande parcela da população que passou a depender unicamente do SUS.

“Para essas pessoas, o seguro de doenças graves é uma alternativa de menor custo para apoiar financeiramente o tratamento de doenças mais complexas, que naturalmente exigiriam um desembolso mais significativo no orçamento familiar”, diz o presidente da Comissão Fiscal do CVG-SP, Marcio José Batistuti, que ocupa o cargo de diretor Nacional de Varejo da Mongeral Aegon. Ele avalia que o difícil cenário da saúde no país despertou a atenção da população para esse seguro.

A diretora de Vida, Previdência e Investimentos da Porto Seguro Fernanda Pasquarelli, que também integra a Comissão Fiscal do CVG-SP, observa que, recentemente,  a população se deu conta de que “existe como se proteger financeiramente para tratar uma doença grave além do plano de saúde”. Segundo ela, uma pesquisa realizada pelo Instituto Ilumeo, em 2017, sob encomenda da Porto Seguro Vida e Previdência, revelou que do total de entrevistados, 90% consideravam importante contratar um seguro de vida com cobertura para doenças graves.

Mas, em vez de substituir o plano de saúde, a cobertura para doenças graves se apresenta, segundo a avaliação de Marcio J. Batistuti, como uma excelente complementação. “Caso o segurado seja diagnosticado com alguma das doenças cobertas pelo plano, ele receberá o valor contratado de uma única vez para auxiliar nos gastos com tratamento ou outras despesas. Isso ajuda muito a equilibrar as finanças, principalmente, em um momento tão delicado”, diz.

Fernanda Pasquarelli chama a atenção para os altos custos do tratamento. Segundo cálculos do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o tratamento de um câncer, por exemplo, pode chegar a R$ 70 mil, dependendo do órgão afetado. “Muitas vezes, são necessários equipamentos médicos, remédios e até cuidadores, nem sempre cobertos pelos planos de saúde”, diz.

Proteção financeira

A contratação da cobertura para doenças graves também tem aumentado entre as pessoas jurídicas, mais especificamente entre os microempreendedores individuais (MEI), que, hoje, somam quase 12 milhões e correspondem a 53% de todos os empreendimentos no Brasil, segundo estimativa do Sebrae. Para uma parte desse público, que deixou de ter plano de saúde ao se tornar MEI, o seguro se apresenta como um meio de proteção financeira.

O envelhecimento da população e a maior incidência de doenças graves também são razões para a opção pelo seguro. O Brasil deve registrar neste ano quase 600 mil novos casos novos de câncer de mama, de acordo com o Inca, que também estima o risco 56,33 casos a cada 100 mil mulheres. Para Fernanda Pasquarelli, o aumento da expectativa de vida tem estimulado os brasileiros a pensarem em um futuro com mais qualidade de vida na fase da velhice, quando os gastos são maiores.

Uma pesquisa realizada pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), em 2018, apontou que remédios e saúde sãos os itens que mais preocupam 89% dos 1,5 mil entrevistados em todo o país em relação ao futuro. “Por isso, as pessoas têm buscado o seguro de vida como proteção e investimento de longo prazo”, diz o diretor técnico de Vida e Previdência da SulAmérica Fabiano Lima, membro da Comissão Fiscal do CVG-SP.

Na visão de Aline Cipolla, gerente de Produtos Vida e Dental na MetLife, o mercado segurador está atento a essa nova demanda da sociedade. “Existe um movimento entre as seguradoras de não trabalharem apenas com produtos e ofertas que abordem somente morte ou invalidez, mas também coberturas e assistências para que o próprio segurado possa se beneficiar ou utilizar em vida”, diz.

Os corretores de seguros, por sua vez, também estão se especializando na comercialização de produtos de proteção financeira para seus clientes, segundo Paulo Lima, diretor adjunto da diretoria Administrativo Financeira do CVG-SP e diretor Comercial São Paulo – Vida Corporate da Icatu Seguros. “Os corretores divulgam a importância das coberturas do seguro de pessoas que são utilizadas em vida, como doenças graves, diária de incapacidade temporária (DIT) e despesas médico-hospitalares e odontológicas (DMHO), entre outras”, diz.

Os produtos

Na Icatu Seguros, segundo Paulo Lima, o produto Essencial Vida prevê pagamento de indenização para diagnósticos de 11 doenças graves (paralisia de membros, perda de visão, perda de audição, perda da fala, esclerose múltipla ou cirurgia de revascularização do miocárdio com implante de ponte vascular - By Pass, além de câncer, AVC, infarto, transplante de órgãos e insuficiência renal). O produto pode ser contratado por pessoas com até 64 anos e o capital segurado é limitado a 200% do valor da cobertura de morte.

De acordo com Fabiano Lima, na SulAmérica, a cobertura para doenças graves se encontra nos seguros de Vida Individual e de Vida Mulher, que podem ser contratados por pessoas com 18 até 65 anos de idade. Os produtos cobrem doenças coronárias, transplantes, AVC e tumores malignos. Outro produto nessa linha é o DIT (Diária por Incapacidade Temporária), cuja cobertura garante aos segurados, trabalhadores autônomos ou em regime de CLT, o pagamento de diárias contratadas pelo período que não puderem trabalhar em razão de doença ou acidente pessoal coberto.

Fernanda Pasquarelli explica que na Porto Seguro a cobertura oferecida no seguro de vida individual abrange seis tipos de doenças graves: infarto agudo do miocárdio, AVC, insuficiência renal terminal, cirurgia de artéria coronariana, transplante de órgãos e câncer. Além destas, a cobertura “Doenças Graves Mais” inclui também cirurgia de válvulas cardíacas, cirurgia da aorta, esclerose múltipla e Alzheimer, totalizando dez doenças. A idade para contratação é de 18 até 70 anos e o teto da cobertura é de R$ 400 mil, limitado a 100% da cobertura por morte.

Já a Mongeral Aegon, segundo Marcio J. Batistuti, possui um dos produtos mais completos, cobrindo Alzheimer, AVC, câncer, infarto agudo do miocárdio, insuficiência renal crônica, perda de audição, perda de fala, perda de visão, paralisia de membros, cirurgia de Bypass e diversos transplantes de órgãos. Pessoas de 16 a 65 anos podem contratar o seguro e a carência é de 60 dias. Ele explica que a contratação da cobertura não está vinculada à compra de um seguro de morte ou invalidez. “É possível contratar apenas o seguro de doenças graves até o valor de R$ 500 mil de capital segurado”, diz.

Na MetLife, uma linha de produtos oferece cobertura para doenças graves. De acordo com informações do site da seguradora, o seguro MetLife Complementar Cirurgia oferece apoio financeiro e assistência para a realização de procedimentos cirúrgicos de emergência. Além do MetLife Complementar Neurologia, para os casos de diagnóstico de derrame, Parkinson etc., o MetLife Complementar Diagnóstico serve para o caso de diagnóstico de câncer. Já o Proteção Mulher oferece cobertura no caso de diagnóstico de câncer de mama, ovário ou colo de útero. O produto também é oferecido na versão Plus para mulheres e homens.

 

Fonte: CVG-SP |Texto: Márcia Alves