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O legado de Osmar Bertacini para o seguro de vida

18/01/2019

Causou comoção ao mercado de seguros a partida inesperada de Osmar Bertacini, no dia 8 de janeiro, aos 76 anos de idade e 56 anos de carreira. Figura carismática, profissional respeitado e querido por todos, ele conquistou ao longo da vida uma legião de amigos e admiradores. Muitos se manifestaram nas redes sociais, lamentando a perda de um grande profissional e de um ser humano especial.

Lembrado por suas inúmeras virtudes, como caráter, honestidade, humildade, alegria e generosidade, também foi reconhecido por sua inestimável contribuição ao desenvolvimento do seguro de pessoas no país. Na trajetória profissional de Bertacini, o CVG-SP ocupa lugar de destaque, não apenas por sua participação na fundação, como também pela passagem em diversas diretorias até chegar à presidência, exercida por duas gestões.

Ultimamente, ele ocupava o posto de secretário no Conselho Consultivo ao lado de outros ex-presidentes, como seu grande amigo Paulo Meinberg. Os dois se conheceram em 1979, quando Meinberg, ainda novato na área, participou de uma reunião na Companhia Internacional de Seguros. “O Osmar foi o nosso anfitrião e a partir daquele momento criei enorme admiração por ele”, diz. Ambos participaram da fundação do CVG-SP, em 1981, e no decorrer dos anos estreitaram os laços de amizade.

Bertacini e MeinbergSeguro foi a única área em que Bertacini atuou por toda a vida. Nascido em Jurupeba, interior de São Paulo, ele veio morar na capital aos 19 anos, iniciando a vida profissional na Companhia Internacional de Seguros, na qual permaneceu por 22 anos. Em meados da década de 80, habilitou-se como corretor de seguros para atuar na Libra Corretora de Seguros.

Seu bom desempenho no curso e a boa oratória não passaram despercebidos do professor José Francisco de Miranda Fontana, que lhe convidou para lecionar. Esta atividade ele cumpriu por quase três décadas. Na Libra, atuou por seis anos até decidir, em fevereiro de 1991, criar a Humana Seguros, que hoje é uma das maiores assessorias de seguros do país.

Era desejo de Meinberg ter Bertacini na presidência do CVG-SP. Quando, enfim, houve a oportunidade, Bertacini já atuava como corretor de seguros, condição então vetada pelo estatuto da entidade. Por iniciativa de Meinberg, o estatuto do CVG-SP foi reformulado e Bertacini pode, então, se eleger e assumir a presidência em 2009.

Presidência do CVG-SP

Nas gestões de Bertacini, entre 2009 e 2012, o CVG-SP investiu na melhoria e qualidade de sua comunicação com o mercado, por meio da reformulação do site, da criação de newsletter semanal e mudança do formato da revista CVG Notícias, de impressa para digital.

Um dos momentos mais marcantes no CVG-SP foi a homenagem aos seus 50 anos de carreira e 70 anos de vida, em julho de 2012. Naquela ocasião, foi surpreendido pelo então vice-presidente Dilmo Bantim Moreira, que trouxe ao recinto Regina, esposa de Bertacini, e Isaura, a sogra, para lhe entregarem uma placa. Bastante emocionado, ele chorou e afirmou que o maior patrimônio de sua vida eram os amigos e o seu alicerce, a família.

Na mesma época, em entrevista à revista CVG Notícias, ele transmitiu alguns conselhos aos jovens iniciantes no mercado de trabalho. “Quando encontrar sua verdadeira vocação, seja humilde e respeite as pessoas, porque assim construirá um ambiente que lhe motivará a trilhar o seu caminho”. “Nunca pense em fazer mal a alguém, porque tudo o que fazemos retorna para nós mesmos”. “Não coloque o dinheiro na frente de seus objetivos. O dinheiro é apenas consequência de um trabalho sério e honesto”.

Dilmo e BertaciniDilmo B. Moreira, que atuou como vice-presidente nas duas gestões de Bertacini e, posteriormente, o sucedeu na presidência, comenta a perda. “Sentiremos falta de sua marcante presença e de sua incansável e abnegada contribuição ao seguro de vida”.

Últimas homenagens

Em 2017, na gestão de Silas Kasahaya, o CVG-SP prestou duas homenagens a Bertacini.  Em julho daquele ano, ele se emocionou ao receber uma placa em homenagem aos seus 55 anos de carreira. Em novembro, durante a festa de confraternização, também foi homenageado, juntamente com outros ex-presidentes, por sua atuação na entidade e contribuição ao desenvolvimento do seguro de pessoas. Ele participou, ainda, do novo projeto do CVG-SP “Histórias de Vida”, lançado em dezembro.

Abalado com a morte do amigo, o presidente do CVG-SP revela que guarda na lembrança a participação dele nos momentos mais importantes de sua trajetória de 30 anos no mercado de seguro de pessoas. “Quando iniciei na área, ele já era uma referência no seguro de pessoas. Foi meu professor e, posteriormente, meu colega de trabalho quando também me tornei professor. Aprendi muito com ele”, diz.

Não por acaso, Bertacini era reconhecido no mercado como a “lenda viva do seguro de vida”. Kasahaya concorda e reafirma a importância dele para a consolidação desse mercado. “Era o grande papa do seguro de vida”, diz. Para ele, o vazio deixado por Bertacini deve ser amenizado pela recordação dos momentos felizes. “Sempre vou me lembrar das palavras de força e otimismo dele”, diz.

Fonte: CVG-SP |Texto: Márcia Alves |Fotos: Antranik Photos