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Encontro de entidades de seguros de pessoas discute presente e futuro do ramo

18/10/2020

Organizado pelo CVG-SP, o inédito encontro virtual que reuniu sete entidades estaduais especializadas em seguro de pessoas, no dia 15 de outubro, trouxe uma visão abrangente das transformações no ramo e ajudou a delinear o cenário para o futuro. Com foco nas principais tendências, os dirigentes do CSP-BA, CSP-MG, CVG-ES, CVG-RJ, CVG-RS, CVG-SP e ISB Brasil (PR) debateram desde a ascensão do seguro de pessoas até as mudanças provocadas pela tecnologia – da subscrição de riscos até a distribuição –, além de apontarem caminhos para o desenvolvimento.

Sob a mediação da jornalista Kelly Lubiato, editora da revista Apólice, e com transmissão ao vivo pelo canal do CVG-SP na internet, o evento foi realizado em duas etapas. Na primeira, os dirigentes responderam questões relacionadas ao presente e futuro do seguro de pessoas. Na segunda rodada, as perguntas vieram dos veículos da mídia especializada em seguros que apoiaram o evento: Apólice, Cobertura, CQCS, Insurance Corp, JNS, JRS, Roncarati, Seg News, Segurador Brasil, Seguro Nova Digital, Seguro Total, Seguros em Foco e Sonho Seguro.

Tendências
A pandemia ajudou a acelerar a transformação digital no seguro de pessoas, segundo a percepção da presidente do Clube de Seguros de Pessoas e Benefícios do Estado da Bahia (CSP-BA), Patrícia Jacobucci. Questionada sobre o cenário futuro, ela concluiu que o setor de seguros sempre foi digital e que deverá avançar nessa área. “Esta é a lição para o pós-pandemia”, disse.

Na visão de João Paulo Mello, presidente Clube de Seguros de Pessoas de Minas Gerais (CSP-MG), o segmento de pequenas e médias empresas é a mola propulsora da economia e, como tal, deve ser o foco do seguro de pessoas para ampliar sua penetração. Apesar dos impactos da pandemia sobre o segmento, como desemprego e perda de renda, ele acredita em um futuro melhor. “Vai passar. É fundamental que os corretores foquem nesse nicho”, disse.

A venda digital de seguros, única alternativa na pandemia, deve se tornar uma tendência, na visão do presidente do Clube Vida em Grupo Espirito Santo (CVG-ES), Antonio Santa Catarina. “É um processo irreversível, que deverá baratear o custo do seguro”, disse. No futuro, ele acredita que a venda será totalmente digital. “Os corretores precisam se preparar”, disse.

A pandemia despertou o interesse do consumidor pelo seguro vida? O presidente do Clube Vida em Grupo Rio de Janeiro (CVG-RJ), Octávio Perissé, acredita que sim. “Nesse novo normal a prioridade é preservar vidas. Não é à toa que aumentou a procura por seguro de vida e planos de saúde, inclusive pelos mais jovens”, disse. Ele aproveitou a oportunidade para parabenizar as seguradoras que decidiram indenizar os sinistros provocados por covid-19 e também elogiou a agilidade dessas empresas na rápida adaptação ao home office, garantindo que o atendimento não fosse interrompido.

Com tantas mudanças em curso no seguro de pessoas, é difícil prever o futuro do ramo, considera a presidente do Clube de Seguros de Vida e Benefícios do Rio Grande do Sul (CVG-RS), Andréia Araújo. No presente, ela constata que a pandemia trouxe um senso de urgência na contratação do seguro que o consumidor não tinha. “Talvez, este seja o maior legado, o de fazer o consumidor pensar no futuro e ser mais previdente”, disse. Segundo ela, é possível que o seguro de vida se torne no futuro tão popular quanto o automóvel. No entanto, o mercado precisa evoluir mais na transformação digital.

Se no passado, o processo de subscrição de riscos era binário – aceita ou não aceita riscos -, hoje, com a incorporação de novas tecnologias, os riscos até então excluídos passaram a ter mais chance de aceitação. Esta é a percepção do presidente do Clube Vida em Grupo São Paulo (CVG-SP), Silas Kasahaya. Com a possibilidade de tratamento de dados por meio de big data, inteligência artificial e outras tecnologias, ele acredita que a subscrição caminha para a individualização. “Com base nos dados disponíveis, hoje, já é possível fazer uma avaliação precisa do risco. Mas, o mercado ainda precisa avançar, principalmente, em relação à LGPD”, disse.

Na última questão da primeira rodada, Joceli Pereira, presidente do Instituto Superior de Seguros e Benefícios Brasil (ISB Brasil), com sede em Curitiba (PR), analisou a formação dos profissionais que atuam na área, concluindo que é possível melhorar. “As entidades que proporcionam essa formação precisam se voltar para a produção de conhecimento e o fomento de pesquisas”, disse. Na sua visão, com a ajuda da tecnologia todo o conhecimento empírico do dia a dia dos profissionais pode ser sistematizado e disseminado. Até porque, disse, “o consumidor está mais exigente e antenado”.

 

Imprensa especializada pergunta

A tecnologia foi o foco de duas questões enviadas pela mídia especializada. Carlos Pacheco, da revista Insurance Corp, quis saber se a tecnologia será a melhor estratégia no relacionamento entre corretores e clientes. Patrícia Jacobucci respondeu que sim, mas ressalvou que a venda consultiva não acabará. “A tecnologia auxiliará o corretor, mas no dia a dia o cliente precisará cada vez mais de um consultor”, disse. Já Joceli Pereira respondeu a Júlio Pereira, da Seguros em Foco, se a tecnologia pode melhorar a regulação de sinistros. “Agora, a indenização é a entrega do produto e a tecnologia veio para efetivar esse processo. Mas a regulação precisa ser sustentável”, disse.

William Antony, da JRS Digital, perguntou sobre a tendência de crescimento do seguro de pessoas no pós-pandemia. João Paulo Mello respondeu que não duvida dessa tendência, mas alertou para a necessidade de melhorar produtos e condições para aumentar a penetração. “Nisso, temos de ser disruptivos, pensar diferente”, disse. Ele cogitou, inclusive, a criação de produtos direcionados para públicos de média renda, como a previdência, e para baixa renda, como o microsseguros.

Na mesma linha, Antonio Santa Catarina respondeu ao jornalista Sergio Guerra, da revista Seguro Nova Digital, que para aumentar a penetração do seguro de vida é preciso focar no nicho de profissionais liberais, informais e de baixa renda. Para tanto, a distribuição digitalizada, a seu ver, abrirá caminhos, facilitando a cobrança. “As insurtechs estão aí para encontrar uma solução para isso”, disse.

“Seguros e benefícios estão em alta e isso não vai mudar. Daqui para frente é crescimento total”. Esta foi a resposta de Octávio Perissé ao questionamento do jornalista Kleber Ferreira, do CQCS. Ele acrescentou que o desenvolvimento do seguro de pessoas tem sido fomentado pela demanda do consumidor, que também está mudando. Na sua percepção, a inovação virá da alta tecnologia compartilhada e da união do mercado. Perissé comentou, ainda, a necessidade de desenvolver o microsseguro para atender, principalmente, as famílias das vítimas fatais da pandemia. “Muitas famílias estão desamparadas, com pouca renda, pela falta do microsseguro”, disse.

“Na pandemia, o mercado de seguros brasileiro está em linha com outros países?”. Esta foi a pergunta de João Carlos Labruna, da revista Segurador Brasil, respondida por Andréia Araujo. Ela, que participou recentemente de evento da Limra/Loma, confirmou: “não estamos descolados do resto do mundo”. A presidente do CVG-RS observou que, assim como outros países, no Brasil as seguradoras responderam rapidamente e decidiram cobrir o risco de covid-19. “Isso mostra para a sociedade o quão importante é o ramo vida e o quão comprometido o mercado de seguros está”, disse.

A última pergunta da imprensa veio da jornalista Denise Bueno, do Blog Sonho Seguro, que questionou a impossibilidade de contratação de nova apólice do seguro de doenças graves para o consumidor que já teve sinistro, mesmo diante do avanço da medicina. Coube a Silas Kasahaya esclarecer que doença grave é vendida, geralmente, como cobertura adicional do seguro de vida, e que, portanto, o segurado permanece com as demais coberturas em caso de sinistro. Ele reconhece que é difícil comprar um novo seguro para doença grave, quando a pessoa já enfrentou sinistro, mas não é impossível. “Com a subscrição personalizada, a tendência é a aceitação de casos mais comuns, como diabetes, infartos etc.”, disse.

Kasahaya encerrou o encontro, manifestando sua satisfação com o resultado. “É um privilégio participar de evento tão importante, em que reunimos, pela primeira vez, os presidentes de sete entidades especializadas. Espero que seja o primeiro de muitos”, disse. Ele também cumprimentou os professores pelo seu dia, além dos corretores e securitários que também comemoram a data em outubro. “Estou terminando a minha gestão no CVG-SP e este evento fechou com chave de ouro”, disse.

Veja o vídeo na íntegra do evento em: http://www.cvg.org.br/tv-cvg.php?url=encontro-de-entidades-de-seguros-de-pessoas-discute-presente-e-futuro-do-ramo

Fonte: CVG-SP | Texto: Márcia Alves