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O novo momento do mercado de seguro de vida

11/10/2021

Marcos Kobayashi*

"Desde que foi decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a pandemia do coronavírus vem transformando, talvez de maneira irreversível, a relação das pessoas com a saúde e o bem-estar próprios e do coletivo. Ao contrário do que já era visto em países como Estados Unidos e Japão, onde o mercado de seguro de vida é mais representativo, no Brasil o setor acompanhou uma nova movimentação em relação a este tipo de produto, talvez pelo aumento da conscientização da sociedade em torno da proteção familiar.

Segundo um estudo realizado pela Deloitte, uma das maiores empresas no segmento de auditoria do mundo, após entrevistar cerca de 1.700 compradores de seguro de vida, identificou-se que certos eventos são significativamente mais impactantes para impulsionar a compra do produto, como por exemplo, ter filhos (43%), comprar uma casa (35%), mudança na situação financeira (33%) e casamento (28%). Ou seja, percebe-se que a segurança financeira da família é um dos principais motivos para a sua contratação. Assim, geralmente, as pessoas o procuram preocupadas com a sucessão familiar para o caso de sua ausência.

Essa conscientização sobre a importância do seguro de vida pode, sim, ter sido ampliada durante a pandemia, fazendo com que a busca por proteção se tornasse ainda mais latente. Contudo, o que poucos sabem, é que o crescimento desse segmento já era expressivo, mesmo antes do início da pandemia, em função de uma maior preocupação das pessoas com a saúde e bem-estar. Atualmente, ele pode ir muito além das proteções por morte e invalidez, e é considerado um item essencial para garantir a qualidade de vida do segurado e de sua família, bem como sua tranquilidade financeira, caso haja algum imprevisto.

Para se ter uma ideia, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), o segmento encerrou o ano de 2020 com alta de 11,3% em comparação a 2019. Ainda na esteira do crescimento, o primeiro semestre deste ano registrou alta de 19,1% em relação ao mesmo período de 2020, o que representa um aumento de R$ 1,75 bilhão na arrecadação de prêmios. De acordo com a Federação Nacional de Previdência e Vida (FenaPrevi), somente o seguro de vida individual arrecadou R$ 4,52 bilhões nos primeiros seis meses do ano, com 34% de alta.

Houve também um aumento na busca do produto por clientes na faixa etária de 30 anos, o que confirma que o cenário pandêmico foi um catalisador, e as seguradoras precisaram se movimentar para oferecer produtos ainda mais alinhados às necessidades do consumidor. Para se ter uma dimensão, também de acordo com a Susep, entre janeiro e fevereiro de 2021, houve um aumento de 120% na contratação do seguro de vida entre os jovens, se comparado ao mesmo período do ano passado. Isso deixa evidente que eles também já começam a perceber o seguro de vida como um investimento a longo prazo, o que de fato é.

É inegável que exista também uma maior preocupação das seguradoras em levar ao conhecimento do consumidor os benefícios do seguro de vida para o planejamento financeiro das famílias, ou seu caráter de proteção do capital humano para as empresas. Produtos personalizados também se fazem presentes, que atendem às necessidades dos clientes, bem como do mercado, ávido por novidades. Além disso, é cada vez mais importante que o bem-estar do segurado faça parte da estratégia das seguradoras, com diversos benefícios para serem usados ainda em vida e que podem incluir desde indenização para tratamento de doenças graves como AVC, Alzheimer, esclerose múltipla, entre outras, até orientação nutricional e de como levar uma rotina mais saudável.

Ao analisar o atual cenário, fica notório o enorme potencial de difusão que o segmento tem no Brasil. Porém, mesmo com números bastante positivos, podemos crescer ainda mais nesse segmento. O papel do setor de seguros é prover soluções de proteção nos diversos momentos da vida dos brasileiros e precisamos seguir investindo em novos nichos, apresentar novos produtos, coberturas e serviços diferenciados aos Clientes. Em um cenário pós-pandemia, o potencial do mercado de seguro de vida é de muitas oportunidades e precisamos estar preparados para isso. Aliás, já estamos".

 

*Marcos Kobayashi é presidente do CVG-SP e diretor Comercial Nacional Vida da Tokio Marine Seguradora

Fonte: Estadão