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Economia e mudanças regulatórias são pauta de live do Sindseg PR/MS

29/08/2021

A economia dava sinais de recuperação no início do ano, sobretudo pelo avanço da vacinação, mas uma sequência de choques contaminou as chances de crescimento, elevando a inflação e os juros. Quais foram estes choques e como afetaram a economia foram questões analisadas pelo jornalista de economia Carlos Alberto Sardenberg na live promovida pelo Sindicato das Seguradoras (Sindseg PR/MS), no dia 25 de agosto, em comemoração ao seu aniversário de 97 anos.

O evento “Cenários Econômicos: oportunidades e desafios para o mercado segurador” contou com as participações do presidente da CNseg Marcio Coriolano, do presidente da Bradesco Seguros, Ivan Gontijo e do presidente da HDI, Murilo Riedel. A mediação foi realizada pelo presidente do Sindseg PR/MS, Altevir Prado.

De acordo com Sardenberg, a alta súbita dos preços dos alimentos, dos combustíveis e, agora, da energia elétrica causaram choques, gerando efeitos secundários que se alastraram pela economia. “O fato é que a economia tem muita indexação, então os choques acabaram se espalhando”, disse. Como resultado, a inflação, que já se aproxima de 10%, muito acima da média projetada de 3,75%, deve encerrar o ano entre 7,5% e 8%.

“Por isso, o Banco Central elevou a taxa de juros, que deve alcançar 7,5% até o final de 2021”, disse. Nesse cenário, o dólar também tem se mantido elevado e o crescimento do PIB não passará da casa dos 2%, segundo o jornalista, caso as reformas administrativa e tributária não sejam realizadas. “Com as reformas, o PIB poderia crescer até 5%. Mas, vamos ficar num ambiente de crescimento de médio para baixo e com juros altos por um bom período”, previu.

No pós-pandemia, Sardenberg acredita que o agronegócio continuará alavancando a economia, porque a demanda mundial por alimentos é crescente. “Mas, o desafio será produzir mais, o que requer tecnologia e excelentes plataformas digitais”, disse. Ele apontou desafios também para o seguro, que passa por mudanças regulatórias.

Sem milagres

Quando a pandemia chegou, o setor de seguros crescia em ritmo acelerado, na marca de 12,3%. O setor sentiu o impacto, cresceu apenas 2,3% em 2020, mas resistiu. Na visão de Marcio Coriolano, o que ocorreu daí por diante foi o que os economistas chamam de crescimento em V, já que no segundo semestre deste ano o seguro se recuperou, atingindo 12% de crescimento.

“A pandemia despertou um sentimento de finitude na população e a aversão ao risco, o que alavancou o seguro de vida, saúde e residencial”, disse. O presidente da CNseg acrescenta que a “poupança forçada” da população, que deixou de gastar com restaurante, diversão e mobilidade etc., foi revertida para o seguro. “As pessoas aplicaram naquilo que as protege”.

Ivan Gontijo observa que, hoje, o consumidor enxerga o seguro de uma forma diferente. “Vários produtos hoje são objeto de desejo pela população”, disse. Na sua opinião, a pandemia abriu uma janela de oportunidades para seguro oferecer, além de coberturas, serviços que podem ser usufruídos em vida. “A nossa visão é otimista no sentido que o ser humano passa a sentir a necessidade da proteção do seguro”, disse o presidente da Bradesco Seguros.

Em relação ao Open Insurance, Coriolano não acredita que vá operar milagres e transformar o seguro. “Cuidado, o santo é de barro”, advertiu. Caberá ao consumidor, a seu ver, o poder de decidir sobre compartilhar ou não os seus dados. Nesse aspecto, ele ressaltou que os dados são patrimônio “de uma vida toda” das seguradoras e, portanto, o órgão regulador deve garantir que irá protegê-los.

Na avaliação de Murilo Riedel, o mercado de seguros é transparente e os clientes têm total liberdade de escolha de produtos e seguradora. Mas, segundo ele, o mercado já funciona com margens estreitas de lucratividade. Por isso, disse que não enxerga como desenhar produtos que possam entregar mais do que já entregam, a não ser que venham para complementar. “As plataformas serão ótimas para produtos complementares. Mas, como são mais caros e segmentados, exigirão grande esforço de venda. Por isso, não fecha muito a bonita história da plataforma aberta”, disse.

Papel fundamental

Como expectador do evento, o vice-presidente do CVG-SP, Gustavo Toledo, diretor Comercial da MetLife, avalia que 2021 tem mostrado um cenário muito complexo, com a alta da inflação e da taxa de juros. “As seguradoras de pessoas estão sendo fortemente impactadas em seus resultados devido ao volume de indenizações geradas pela pandemia, além da Resolução CNSP 382 e do Open Insurance”, diz. Mas, a seu ver, o mercado tem demonstrado muita resiliência. “É fundamental, nesse momento, o papel das entidades do setor, como o Sindseg PR/MS, que colaboram para o crescimento do setor ao promoverem o debate de questões que afetam o seguro”, diz.

 

Fonte: CVG-SP | Texto: Márcia Alves