Destaque

CVG-SP discute solvência em webinar da FECAP

31/10/2022

Na sua sexta participação no webinar Conexões Empresariais, projeto do Centro de Empreendedorismo da FECAP, sua parceira, o CVG-SP foi representado pelo superintendente Atuarial da Porto, Bráulio Melo, que abordou o tema “Aspectos Atuariais de Solvência em Seguros”. O evento transmitido ao vivo pelo canal da FECAP no YouTube, no dia 20 de outubro, contou com a mediação do professor Olívio Luccas.

Braulio Melo, que tem 39 anos de idade e já acumula 17 anos de experiência em seguros, explicou didaticamente aos alunos da FECAP porque as seguradoras não quebram com facilidade e mostrou como são calculados os prêmios, as provisões e os capitais. Segundo ele, a solvência é a capacidade de honrar compromissos futuros assumidos.

Braulio Melo informou que a solvência é composta pela tríade prêmio, provisões e capital. Definido com base no mutualismo, o prêmio é calculado para proteger um risco incerto e aleatório, que possa gerar uma perda mensurável. Já as provisões, compostas com os recursos dos prêmios, são definidas com base na premissa de que a seguradora precisa ter reservas para honrar seus compromissos, ainda que encerre suas atividades.

Obedecendo a exigências regulatórias, as provisões técnicas são calculadas por estimativas atuariais. “Os atuários têm a liberdade para estimar, mas o método precisa se mostrar consistente e assertivo ao longo do tempo”, disse. Segundo ele, o cálculo leva em conta os compromissos futuros. Os recursos podem ser investidos no mercado financeiro e os retornos destinados a complementar os montantes provisionados.

Braulio Melo explicou que na linha do tempo que representa o período de vigência do seguro, o risco a decorrer tem a sua provisão de prêmio. Já o período decorrido tem a provisão de sinistros. “Na medida em que o tempo da vigência vai aumentando, o dinheiro da provisão de prêmio é transferido para a provisão de sinistros”, disse.

Mas, e se o dinheiro dos segurados não for suficiente para pagar todas as despesas estimadas? “Mesmo assim, terá de pagar”, responde o atuário. Segundo ele, caso isso ocorra, a diferença caberá aos sócios da seguradora, que deverão alocar os recursos imediatamente. “Para mensurar esse montante usamos o capital baseado em riscos. Quanto maior o porte da empresa e dos riscos assumidos, maior será a alocação de capital”, disse.

O capital envolve quatro tipos de riscos. O risco de subscrição é a perda gerada por erros de estimativas de prêmios e provisões. O risco de crédito ocorre por perdas com inadimplência ou default de terceiros, como, por exemplo, os bancos. Já o risco de mercado é resultado da perda pelo descasamento entre obrigações (passivo) e os recursos (ativos). O risco operacional ocorre por perdas na operação, como falhas em sistemas, ataques cibernéticos, pandemia etc.

Braulio Melo incluiu o resseguro como mais uma opção de proteção para garantir a solvência. Segundo ele, os órgãos reguladores também definem medidas para preservar a solvência. Uma delas envolve os aspectos de governança, como controles internos, gestão de riscos, prevenção a fraudes e auditoria interna, que as seguradoras adotam como uma segunda linha de defesa. A própria fiscalização dos órgãos reguladores é outra linha de defesa.

Na parte final do webinar, reservado às perguntas dos internautas, o prof. Luccas quis saber a opinião do palestrante sobre o problema das empresas de proteção veicular, que vendem seguro sem constituírem provisão. “O seguro é uma transferência de risco, que traz tranquilidade. Mas, se a pessoa transferir para uma empresa que não tem o arcabouço de proteção, terá outro risco. É como trocar um risco pelo outro”, disse.

O prof. Luccas também quis ouvir o palestrante sobre o risco de esgotamento das provisões por causa da decisão da maioria das seguradoras de indenizarem sinistros por covid. “A pandemia não fez parte dos modelos de precificação, mas as seguradoras conseguiram extrapolar o contrato porque tinham capital, resultado de parte do lucro obtido no passado”, explicou o atuário.

Encerrando a sua apresentação, Braulio Melo fez questão de reforçar a mensagem de que seguro é proteção. “Podem confiar que todo o dinheiro guardado é uma garantia para honrar os compromissos. Nós, atuários, somos grandes defensores do segurado nas empresas”, disse. O prof. Luccas concordou e acrescentou: “Os atuários são conservadores, éticos e zelam pelo segurado, mesmo que poucos saibam disso”.

Veja o vídeo completo do evento em: https://www.cvg.org.br/tv-cvg.php

Fonte: CVG-SP