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Conseguro discute os desafios para o crescimento do setor

09/09/2019

A Conseguro 2019, realizada nos dias 4 e 5 de setembro, em Brasília, sob a promoção da Confederação das Seguradoras (CNseg), teve como enfoque o tema As Novas Fronteiras do Desenvolvimento. O encontro reuniu palestrantes e debatedores técnicos, além de uma vasta programação, além de integrar outros eventos, como o 13º Seminário Controles Internos & Compliance, Auditoria e Gestão de Riscos; a 9ª Conferência de Proteção do Consumidor de Seguros; o 6º Encontro Nacional de Atuários; e a 1ª Conferência de Sustentabilidade e Diversidade.

Previdência - Um dos temas em debate foi a reforma da Previdência, cujas mudanças aumentarão o tempo para que trabalhadores cumpram exigências para a aposentadoria, como idade mínima e tempo de contribuição. Para o secretário de Políticas de Previdência Social do Ministério da Economia, Leonardo Rolim, reforma da Previdência se tornou prioritária porque o país caminha para estar entre as dez nações mais envelhecidas até o fim do século, e as despesas hoje já equivalem à de países maduros.

“O Brasil convive com uma rápida transição demográfica. Antes, era um dos países mais jovens do mundo. Agora, mudou sua trajetória e estará entre os 10 países mais envelhecidos. E, ao contrário da Europa, nós não estamos enriquecendo antes de envelhecer. Então teremos de ficar ricos após envelhecer, o que é desafio mais complexo”, disse. O presidente da Federação Nacional de Previdência Privada (FenaPrevi), Jorge Nasser, apontou os planos de previdência entre as soluções para atenuar os riscos de um envelhecimento sem qualidade de vida.

Saúde - Outro tema em destaque foi a sustentabilidade da saúde suplementar. João Alceu Amoroso Lima, presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), mencionou o descompasso entre os custos crescentes e as limitações de orçamento e renda (agravadas pela recessão e o desemprego no país), cujo crescimento atribuiu às novas tecnologias e às mudanças dos perfis epidemiológico e etário da população. Para ele, questões relacionadas à judicialização, às fraudes, aos desperdícios e às ineficiências tornam a situação ainda mais desafiadora.

Segundo o presidente da FenaSaúde, a segmentação da oferta, de maneira a adequar os preços dos planos a diferentes perfis de usuários, é uma estratégia que se mostrou eficiente em outros países. “Chegou o momento de rever a legislação que vigora no país há 20 anos”, afirmou. Ele citou, ainda, a necessidade de incentivos à atenção primária, com investimentos na prevenção de doenças, e o combate a fraudes e desperdícios. O fortalecimento da ANS também foi apontado. “Precisamos que a Agência atue para oferecer mais estabilidade e segurança jurídica a todos os agentes do sistema”, disse.

Capitalização - O evento trouxe projeções positivas para a capitalização. De acordo com a Susep, o segmento deverá atingir faturamento de R$ 24 bilhões neste ano.  Para o coordenador-geral da Susep, César Neves, as projeções otimistas são efeito do novo marco regulatório para títulos de capitalização, estabelecido, em 2018. Nos últimos cinco anos, o montante anual do setor não ultrapassou os R$ 20 bilhões, explicou Neves.

Para Renato Arena, gerente de Departamento da Bradesco Capitalização, a capitalização é “um produto transparente, de fácil entendimento, que ganhou segurança jurídica com a normatização da Susep”. Com relação à filantropia premiável, ele considera que a nova modalidade é um casamento perfeito entre título de capitalização e doações. Carlos Alberto Corrêa, diretor-executivo da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap), contou que no processo de formulação do novo marco regulatório existia a proposta de acabar com o produto. “Buscamos construir algo que veio ao encontro do interesse do consumidor. O resultado foi aumento nas vendas nesses três meses de comercialização”, destacou.

Potencial - Trazer o seguro desemprego para a iniciativa privada foi uma das sugestões da superintendente da Susep, Solange Vieira, para impulsionar o mercado de seguros brasileiro. Ela enxerga muito potencial para o setor crescer, mas acredita que é preciso trabalhar melhor a educação da população sobre risco.  “O governo está disposto a encolher, mais para isso o setor tem de estar disposto a crescer e correr riscos”, disse. 

Fonte: CVG-SP