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Pandemia deu impulso, mas não determinou crescimento do seguro de pessoas

18/08/2020

Ultrapassar o seguro de automóvel em volume de prêmios foi um feito bastante comemorado pelo mercado de seguro de pessoas em 2017. Naquele ano, a arrecadação do ramo alcançou uma diferença de mais de R$ 1 bilhão em relação ao seguro de automóvel. Desde então, o seguro de pessoas segue firme na liderança e cada vez mais distante do seguro de automóvel (veja quadro).

 

Ramo

2017

2018

2019

Seguro de pessoas

R$ 34,5 bilhões

R$ 37,7 bilhões

R$ 43,3 bilhões

Seguro de automóvel

R$ 33,9 bilhões

R$ 35,8 bilhões

R$ 35,9 bilhões

 

Já em 2020, a pandemia trouxe impulso, principalmente, ao seguro de vida individual, que cresceu 5,8% de janeiro a junho, mas impactou os demais seguros do ramo. Este é o caso, por exemplo, do seguro de vida coletivo, que sofreu os efeitos da crise no mercado de trabalho, registrando decréscimo de 3,2%. De janeiro a junho, a arrecadação do seguro de pessoas foi 1,2% menor que o registrado no mesmo período do ano anterior. No entanto, o tombo do seguro de automóvel foi maior, com queda de 6,2%.

Todo o mercado segurador sentiu os efeitos da crise. A arrecadação do setor no primeiro semestre alcançou R$ 121,1 bilhões, o que representa uma redução de 3,5% em relação a igual semestre de 2019. Mas, no retrato dos últimos doze meses até junho, os resultados mostram que o seguro de pessoas mantém bom desempenho. Nesse período, o ramo somou R$ 43,1 bilhões em prêmios, contra R$ 34,8 bilhões do seguro de automóvel.

 

Trajetória de crescimento

Embora a pandemia tenha jogado holofotes sobre o seguro de pessoas, principalmente o de vida individual, não foi ela a única responsável pela boa aceitação desse ramo pela população. “A procura pelo seguro de vida aumentou na pandemia por causa da preocupação com o número de mortes elevado e porque as seguradoras decidiram indenizar esse risco, que era excluído. Mas, também aumentou porque este seguro dispõe de outras coberturas que podem ser usufruídas em vida”, diz Marcos Kobayashi, vice-presidente do CVG-SP.

Na avaliação de Kobayashi, a pandemia deu impulso, mas não foi determinante para o crescimento do ramo, que vem apresentando bom desempenho antes mesmo de 2017. De acordo com dados da Rating Consultoria, de 2015 para 2016, enquanto os seguros de ramos elementares cresceram somente 1%, o seguro de pessoas cresceu 4%, se igualando à taxa de inflação, que na época foi de 4% (veja quadro).

 

Crescimento Receita

13/14

14/15

15/16

16/17

17/18

Pessoas (sem VGBL)

7%

7%

4%

11%

10%

Ramos Elementares

11%

4%

1%

5%

5%

Total do Segmento

9%

5%

2%

7%

6%

 

 

Atualmente, apesar da queda de faturamento dos seguros de vida coletivos, a tendência, segundo Kobayashi, é que o seguro de vida individual absorva parte da massa de demitidos. “As pessoas que perderam seus empregos vão buscar a proteção do vida individual, o que pode representar uma mudança no cenário futuro”, diz. Para o presidente do CVG-SP, Silas Kasahaya, a ascensão do seguro de pessoas nos últimos anos é resultado de algumas ações das seguradoras.

“As companhias investiram na formação e treinamento de corretores, fornecendo ferramentas para a digitalização de processos, e também em melhorias operacionais. Essas ações estimularam o interesse dos corretores pelo seguro de pessoas, especialmente o vida individual”, diz. Um exemplo do aumento de interesse dos corretores pelo ramo ocorreu na seguradora Tokio Marine, na qual Kobayashi é diretor. Segundo ele, em 2011, a seguradora contava com 3 mil corretores no ramo vida; em 2017, aumentou para 7,4 mil e, atualmente, já são 14 mil corretores. “Os números mostram que o caminho é a capacitação dos corretores, o aculturamento do mercado e a conscientização da população”, diz.

Kasahaya observa que a pandemia ajudou a mudar a percepção das pessoas em relação à importância do seguro de pessoas, mas, antes disso, as companhias já se esforçavam para estruturar o ambiente para o crescimento do ramo. Hoje, considerando o cenário de queda de vários ramos, em virtude da crise, ele acredita que o seguro de pessoas se tornou ainda mais atrativo aos corretores. “Trata-se de um caminho natural para os corretores que procuram manter a margem de lucro com um produto que tem mais demanda”, diz.

Fonte: CVG-SP |Texto: Márcia Alves