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Live do CVG-SP avalia crescimento do seguro de pessoas e tendências no pós-pandemia

27/09/2020

A pandemia, o isolamento social e o aumento da demanda pelo seguro de vida individual provocaram grandes mudanças no mercado de seguros de pessoas, que, apesar dos desafios, cresceu acima de outros ramos. Como as seguradoras enfrentaram essas mudanças e o que esperam do futuro foram alguns dos assuntos abordados na 4ª edição do Encontro com Especialistas, almoço virtual promovido pelo CVG-SP com a participação de executivos de seguradoras associadas e transmissão ao vivo pela internet, no dia 23 de setembro.

Sob a mediação do presidente do CVG-SP, Silas Kasahaya, o encontro contou com a participação de Márcio Magnaboschi, diretor Comercial da Centauro-ON, Fábio Lessa, diretor Comercial da Capemisa, e Alexsander Kaufmann, superintendente Comercial da MBM. Para o trio, Kasahaya perguntou sobre as principais ações das respectivas empresas para o desenvolvimento do mercado de seguro de pessoas.

Trabalho humanizado

Magnaboschi contou que está atuando na Centauro-ON desde 1º de setembro, mas que já se surpreendeu com os valores incorporados pela empresa. “São valores que prezo e que estão em linha com os meus próprios, que são o trabalho humanizado, a transparência, a honestidade e a valorização do corretor de seguros e do consumidor”, disse.

Sobre a Centauro-ON, ele informou que a seguradora é especializada em seguros de vida, foi fundada em 1992 e que, em 2014, fez joint venture com a norte-americana Ohio National Financial Services, passando a integrar um grupo que gerencia mais US$ 40 bilhões em ativos e que também está presente em diversos países da América Latina.

Uma das principais iniciativas da Centauro-ON no período de isolamento social, segundo Magnaboschi, foi impulsionar o treinamento e a interação digital com corretores de seguros. Ele informou, ainda, que a Centauro-ON está no grupo de seguradoras que passaram a indenizar sinistros por covid-19, e que foi além ao não estabelecer carência para novos contratos.

Em relação a projetos, Magnaboschi adiantou que a seguradora pretende intensificar a atuação nos seguros coletivos, com foco no pequeno e médio mercados e corretores generalistas. “Além de reforçar a base em São Paulo e de dar expressão de caráter nacional para a empresa, meu desafio é priorizar o trabalho com corretores, investindo em tecnologia, novos portais e ferramentas para apoiá-los e torná-los mais eficientes”, disse.

O executivo adiantou que a seguradora já tem prontas novidades para o próximo ano. “Estão no forno. Nosso propósito é desenvolver parcerias com corretores, tornando a jornada deles e dos consumidores mais amigável, e também com seguradoras que possam complementar o nosso modelo de negócio de distribuição”, disse.

Soluções positivas na pandemia

Na opinião de Fábio Lessa, o mercado de seguros demonstrou resiliência e se reinventou para achar soluções positivas durante a pandemia. Já o corretor de seguros também se reinventou para manter o relacionamento com a sua base de clientes e, ainda, captar novos negócios. Ajudou nesse sentido, a seu ver, o estágio avançado de automação das seguradoras.

E os resultados já estão surgindo. Lessa trouxe os dados mais recentes do levantamento da Susep referente a julho, destacando o crescimento de 16,8% do seguro de pessoas em comparação com junho último. O seguro de vida individual cresceu 10,2%. Os demais seguros do ramo tiveram leve retração nesse período. “Esse crescimento é bastante significativo porque é fruto do trabalho que o mercado vem desenvolvendo”, disse.

Lessa atribuiu o aumento da demanda pelo seguro de vida à percepção de vulnerabilidade da população. No entanto, ele acredita que o corretor foi essencial. “O papel do corretor é de transformação social, porque vender seguro é um ato de amor”, disse. O interesse da população por vida e previdência também ocorreu, a seu ver, por causa de alguns catalizadores, como as reformas da previdência e trabalhista, aumento da longevidade e a crise econômica.

Para atender a essa demanda, Lessa avalia que o seguro de vida evoluiu, incorporando novas coberturas, além das tradicionais. A Capemisa, especializada no segmento de vida para pequenas e médias empresas, segundo Lessa, está atenta ao atual momento de empreendedorismo, cujo termômetro é o aumento de microempreendedores individuais, que superou 1 milhão durante a pandemia. “O fato de se tornar MEI não elimina a exposição aos riscos e as seguradoras e os corretores estão prontos para oferecer proteção nessa trajetória do empreendedorismo”, disse.

Fomento do seguro

Alexsander Kaufmann iniciou na MBM um ano depois de a seguradora remodelar a sua área comercial e expandir nacionalmente, há cinco anos. Com sede no Rio Grande Sul, a seguradora completou 70 anos de atuação e, hoje, está presente em doze capitais e mais o Distrito Federal. Ele relatou que pandemia obrigou a MBM a se reinventar por meio de home office, lives, videoconferências etc. “A MBM e outras seguradoras se esforçaram e o ramo cresceu dois dígitos. Parabéns”, disse.

Segundo Kaufmann, o isolamento social trouxe a oportunidade para a MBM olhar para dentro e descobrir como poderia melhorar as ferramentas tecnológicas, os produtos e a proteção ao cliente. Essas ações vieram ao encontro da maior demanda pelo seguro de vida, que, ele espera, não acabe com o fim da pandemia. “Cabe ao mercado e aos corretores não deixarem que isso se apague”, disse.

Na visão de Kaufmann, o trabalho remoto trouxe alguns resultados positivos, como a percepção de que as reuniões presenciais não são tão necessárias. “Por meio das lives surgiram oportunidades de vendas, que até então dependiam de eventos em locais distantes. Isso veio para ficar”, disse. Mas, ele considera que também é preciso investir na simplificação de produtos, inclusive em termos de cálculos e fechamentos.

Para o executivo da MBM, a pandemia acelerou a transformação tecnológica do mercado, obrigando as empresas a se adaptarem. “Não há como retroagir, os clientes também querem o meio tecnológico para comprar, e as companhias que não se adaptarem ficarão deslocadas no mercado”, afirmou. Kaufmann contou que além de preparar o lançamento de novos produtos para este ano, a MBM também está se tornando cada vez mais online. “Queremos estar mais próximos dos corretores, levando soluções e fomentando o mercado de seguros”, disse.

Talentos são importantes

Kasahaya transmitiu aos convidados as perguntas dos participantes recebidas pelo chat. Uma delas se referia ao modelo de relacionamento dos corretores no pós-pandemia, se continuará apenas online ou também presencial. Magnaboschi utilizou o exemplo da Centauro-ON, que contratou novos profissionais para trabalharem remotamente, inclusive de locais mais distantes, como Manaus (AM), para concluir que o “paradigma do presencial foi quebrado pela pandemia”. Mais do que a presença, para ele o importante são os talentos.

Fábio Lessa afirmou que hoje fala mais com os corretores do que antes, graças à tecnologia. A Capemisa tem investido em treinamentos para os corretores e também em canais. “Sempre motivamos os corretores a repensarem os seus modelos de negócio e a tecnologia é uma aliada para aumentar a rentabilidade. Mas, nada substitui o talento das pessoas em fazer essa transformação social”, disse. Em seguida, o presidente do CVG-SP encerrou o evento, lamentando as inúmeras vidas perdidas e manifestando o seu desejo de que a humanidade melhore.

 

Fonte: CVG-SP | Texto: Márcia Alves