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Avanços do seguro de vida são debatidos no CQCS Insurtech Innovation 2021

26/11/2021

Os avanços na subscrição de riscos do seguro de vida, o bom desempenho do ramo como parte do processo de aculturamento do corretor de seguros e as oportunidades para aumentar as vendas com a chegada do open Insurance foram questões abordadas no CQCS Insurtech Innovation 2021, evento de tecnologia para o setor de seguros, realizado no dia 23 de novembro, no Centro de Eventos Pró Magno, em São Paulo.

O CVG-SP marcou presença no painel que abordou o tema “Muito além do seguro vida” por meio da participação do presidente Marcos Kobayashi, diretor Nacional Comercial Vida da Tokio Marine. Ele dividiu a apresentação com o ex-presidente do CVG-SP, Silas Kasahaya, sócio e COO da Samplemed, e com Marcelo Mello, vice-presidente de Investimento, Vida e Previdência.

Crescimento

Em 2021, a arrecadação do seguro de vida atingiu R$ 40 bilhões, segundo dados apresentados por Kobayashi. No entanto, ele fez questão de registrar que o bom desempenho do ramo é resultado de uma evolução contínua, cujo marco foi a superação da arrecadação do ramo de automóvel, no final de 2016. Em 2019, o seguro de vida repetiu o feito e também superou o ramo saúde. “O seguro de vida precisa avançar, mas os dados mostram que um longo caminho já foi percorrido”, disse.

O presidente do CVG-SP também mencionou o volume de indenizações pagas no período da pandemia, da ordem de R$ 15 bilhões, dos quais cerca de um terço correspondem a um risco não contemplado nas apólices. “Ao mostrar que entre R$ 4,5 e R$ 5 bilhões de indenizações foram pagos para sinistros de covid-19, evidenciamos a importância da segurança e solidez financeira que as companhias oferecem. Não seria possível cobrir qualquer risco excluído sem a responsabilidade técnica”, afirmou.

Em relação ao número de vítimas fatais de covid-19, que ultrapassou 600 mil, Kobayashi lamentou a falta do seguro de vida para a maioria. Ele afirmou que a Tokio Marine, uma das seguradoras que ignorou a exclusão do risco de pandemia das apólices e indenizou os sinistros de covid, tomou essa decisão com base na sua filosofia global de ser uma boa companhia. “O olhar da companhia vai além de lucro”, disse.

Kobayashi atribui o bom desempenho do seguro de vida ao longo dos últimos anos ao processo de aculturamento dos corretores. “A indústria de seguros oferece apoio e a cobertura dos riscos, por meio de inovação, produtos novos e serviços. Mas, são os corretores que redescobrem o mercado”, disse. Ele apresentou o exemplo da Tokio Marine, que em poucos anos saltou de 3,4 mil corretores no ramo vida para mais de 16 mil. “Não se trata apenas de preço, são profissionais que fazem a venda consultiva”, disse.

Subscrição

Kasahaya usou o exemplo de sua empresa, a Samplemed, para mostrar o avanço da subscrição de riscos no seguro de vida com o uso de novas tecnologias, como big data, machine learning e inteligência artificial. Todas estas, segundo ele, “trabalham” os dados dos segurados, compilando e analisando informações que ajudam a melhorar o processo de subscrição e também ajudam as companhias a desenvolver novos produtos.

O antigo modelo de subscrição baseado na DPS (declaração pessoal de saúde) deu lugar à subscrição acelerada, que representa a segunda fase na escala de evolução desta técnica – a primeira é a subscrição automatizada. De acordo com estudo da consultoria McKinsey, que classifica em quatro fases a evolução da subscrição, Kasahaya informou que as etapas seguintes são a microssegmentação e personalização e a subscrição contínua, que é baseada no comportamento do consumidor.

Segundo o ex-presidente do CVG-SP, a Samplemed, que já acumula 30 anos na área e atende, atualmente, 25 seguradoras, oferece desde modelos preditivos para a análise de produtos massificados até as ferramentas digitais para análises precisas que ajudam a identificar profundamente o risco. Dentre as ferramentas, ele destaca o questionário digital, a telessubscrição e a vídeossubscrição, todas interligadas por APIs. “Todo o processo de subscrição é realizado e devolvido imediatamente com o resultado (aceito ou recusado) e o diagnóstico”, disse.

Oportunidades

Marcelo Mello relembrou que há cinco anos as fintechs discutiam como ir além do produto investimento, descobrindo, posteriormente, que era preciso ter uma visão mais holística do cliente. O resultado, segundo ele, foi a incorporação do conceito de planejamento financeiro e a partir daí a oferta de produtos de vida e previdência. No entanto, havia a preocupação com a compreensão do consumidor dos produtos mais complexos. “Percebi que as plataformas ampliaram sua proposta de valor, mas mantiveram os intermediários como consultores”, disse.

Atualmente, Mello enxerga no Open Insurance oportunidades para os players do mercado, incluindo os corretores, apesar de concordar que a arquitetura aberta e a oferta sem limite do novo sistema representem uma ameaça. “Haverá mais competição, mas se tivermos cada vez mais modelos de distribuição abertos, vamos ter melhores preços e produtos, como acontece com as fintechs, que estão gerando um ambiente concorrencial muito positivo”, disse.

A seu ver, o Open Insurance trará oportunidades para corretores e seguradoras desenvolverem soluções próprias. “Temos de ver o copo meio cheio porque é isso que está acontecendo no mundo de investimentos”, disse.

 

Fonte: CVG-SP | Texto: Márcia Alves