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O futuro do seguro de vida e o papel dos corretores em debate no CVG-SP Limra Day

22/08/2019

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O CVG-SP reuniu um time de especialistas para debater “As novas tendências do seguro de vida no mundo”, tema central do CVG-SP Limra Day, evento inédito realizado no dia 16 de agosto, no Teatro Renaissance, em São Paulo. Dividido em dois painéis, o evento contou a participação dos palestrantes internacionais Thad Burr, Managing Director da LL Global, e Carlos Islas Murguía, representante da Limra/Loma no México e América Latina.

A tecnologia e a venda consultiva

"O seguro de vida em um mundo em transformação" foi o tema da palestra de Thad Burr, debatido por Alexandre Camillo, presidente do Sincor-SP, e por Ronald Kaufmann, Country Manager Limra Brasil, sob a mediação de Gustavo Toledo, diretor Relações com o Mercado do CVG-SP. Segundo Thad, as megatendências para o seguro vida são: internet e robótica, tecnologia combinada com energia e mobilidade, pobreza e riqueza, demografia e saúde, segurança, serviços financeiros e seguros.

Tecnologias como inteligência artificial, blockchain, IoT e telemática deverão trazer grandes mudanças ao seguro de vida, mas não acabarão com a venda consultiva, segundo Thad. Questionado sobre o assunto, ele respondeu que o uso da tecnologia será maior em produtos mais fáceis de serem compreendidos pelo consumidor, como o seguro de automóvel. “Já o seguro de vida é único para cada pessoa e depende da ajuda de um consultor para ser vendido”, disse. Mas, todos os consultores estão preparados para vender seguro de vida? Para Thad, não estão. “Mas, precisam para não serem substituídos pelas tecnologias”, disse.

O presidente do Sincor-SP reconheceu que o mundo está em transformação e que a profissão de corretor de seguros será afetada. No entanto, a abordagem presencial, na visão de Camillo, continuará necessária para a venda de seguros. “Porque ninguém acorda pensando em comprar seguros”, disse.

Ele acredita que haverá grandes oportunidades para o setor de seguros, principalmente após a reforma da Previdência, e que o corretor terá papel de destaque nesse novo cenário, porque detém um “ativo rico”, o cliente. Camillo previu a convergência entre a distribuição de seguros e as novas tecnologias. Mas, considera que a questão do “analógico com o digital” ainda precisa ser equacionada pela categoria, “sem medo”.

Ronald Kaufmann, Country Manager da Limra Brasil, observou que as novas gerações não valorizam tanto o patrimônio quanto as gerações anteriores. Mas, mesmo diante dessa mudança no comportamento de consumo, ele avalia que sempre haverá a necessidade de proteção e, consequentemente, da venda consultiva. Nem mesmo a incorporação de novas tecnologias será capaz, a seu ver, de mudar esse quadro. “Por mais avançada que seja a tecnologia na relação de consumo, ainda será necessário o relacionamento pessoal”, disse.

Gustavo Toledo questionou Thad sobre a tendência para o worksite marketing, sistema em que a oferta de seguros e serviços se dá no próprio local de trabalho para um grupo específico de colaboradores e agregados da empresa parceira. Os principais diferenciais são os preços atrativos e as facilidades na contratação e pagamento dos produtos. Thad respondeu que é fã desse sistema, mas lamentou que as seguradoras dos Estados Unidos, seu país natal, tenham perdido esse nicho para os bancos. “Perderam porque não agarraram essa oportunidade”, disse.

Seguradoras e corretores diante da tecnologia

“Como as seguradoras e seus profissionais estão se preparando para atuar neste novo horizonte de Seguro de Vida” foi o tema analisado por Carlos Islas Murguía, representante da Limra/Loma no México e América Latina, no segundo painel. O presidente do CVG-SP, Silas Kasahaya, atuou como mediador ao lado dos debatedores Bernardo Castello, diretor da Bradesco Vida e Previdência, e Alessandra Monteiro, diretora de Vida e Longevidade do IRB Brasil Re.

Segundo Murguía, o seguro de vida passará por mudanças e o impulso virá dos drivers tecnológico, regulatório, econômico, demográfico e de consumo. Bernardo Castello acredita que algumas áreas das seguradoras estarão em xeque com essas mudanças, principalmente, as de subscrição de riscos e de sinistros. “O papel da seguradora será mais baseado em algoritmos. Daí a necessidade de se reinventar”, disse.

Para Castello, as seguradoras terão algumas áreas com maior destaque no futuro, como suporte jurídico e inovação na criação de produtos. Já a distribuição também se transformará. “O corretor será um especialista em cliente e não mais em produto”, disse.

Alessandra Monteiro observa que a tecnologia é importante para as seguradoras oferecerem produtos mais sofisticados e melhorarem a experiência do cliente. Nesse aspecto, ela considera que as redes sociais serão importantes para a oferta de seguros e mais ainda para se conhecer o consumidor. “Precisamos entender o nosso cliente para oferecer o produto mais adequado. O grande desafio será preparar o profissional de seguros para esse novo mundo”, disse.

Silas Kasahaya perguntou a Murguía se tinha alguns cases do uso de inteligência artificial no seguro de vida para apresentar. O especialista respondeu que não tinha, mas que na área de saúde estava impressionado com os robôs que são capazes de diagnosticar doenças cardíacas de forma mais rápida e precisa que médicos. “A indústria de seguros está trabalhando duro nesta área de inteligência artificial e o primeiro alvo é a área de riscos. O ideal é combinarmos o toque humano com os avanços da tecnologia”, disse.

 

 

 

 

 

Fonte: CVG-SP | Texto: Márcia Alves | Fotos: Antranik Photos