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Setor de capitalização cresce 12,7% e aumenta projeção de alta para 2019

20/09/2019

A projeção de crescimento do setor para este ano também foi revisada para cima, de 6% para 12%. A expectativa é de que o crescimento maior seja puxado pela ascensão dos dois novos produtos advindos do marco regulatório de capitalização, com a criação de ferramentas e de outras utilidades para os títulos existentes.

Os últimos dados da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap) ainda apontam que as reservas técnicas – que correspondem aos recursos de títulos ativos – somaram R$ 30,5 bilhões nos primeiros sete meses deste ano, alta de 4% em relação ao mesmo período de 2018.Também foram pagos R$ 671 milhões a clientes sorteados e R$ 10 bilhões foram devolvidos sob forma de resgates antecipados e finais. De acordo com o presidente da federação, Marcelo Farinha, o mercado de capitalização ainda tem uma agenda de grandes desafios pela frente.

“O marco regulatório trouxe novidades com essas duas modalidades de garantia e filantropia premiável e os números mostram que foi uma decisão acertada. Mas ainda falta conseguirmos atingir o dinamismo e alcançar as novas gerações. O caminho é de disrupção, engajamento e até mesmo de interatividade”, disse o executivo da federação.

Os últimos dados da Susep apontam que em termos de quantidades de títulos, porém, o estoque do mercado atingiu 1,464 bilhão em julho último, recuo de 39,3% em relação ao mesmo mês do ano passado quando era de 2,413 bilhões.

Os títulos resgatados, por sua vez, apontaram um aumento de mais do que o triplo do que o registrado na mesma base de comparação, de 1,163 bilhões para 4,716 bilhões. Já os cancelados caíram 90,1% em igual relação, de 221,2 milhões para 21,9 milhões.

“É importante pensar em como trazer a sustentabilidade econômica e saber lidar com os desafios de retração de renda e de avanço da economia informal. Os hábitos estão constantemente em mutação e precisamos nos reinventar”, complementa Farinha.

As duas novas modalidades (garantia e filantropia premiável) também já trouxeram novas discussões e maior concorrência para o segmento.

Segundo o atuário do Santander Capitalização Ricardo Santana, o mercado já se mostra mais sólido a partir do marco regulatório, mas ainda existem questões de concorrência que precisam ser discutidas.

“É preciso resolver algumas disparidades. Atualmente a capitalização tem de 25% a 30% de impostos ante uma tributação de no máximo 20% para outros produtos que usam o sorteio como ferramenta, por exemplo”, afirmou Santana. “Mas estamos otimistas. A ideia é que a capitalização alcance R$ 24 bilhões até o final deste ano”, completou.

Novas oportunidades

Além disso, os especialistas avaliam a oportunidade de criar mais novos produtos a partir da maior facilidade trazida pelo marco regulatório, além da possibilidade de trazer outras utilidades aos títulos já existentes. É o caso do produto de garantia, cujos usos tendem a ser ampliados não somente para empréstimos como um todo, mas até mesmo em contratos de infraestrutura.

“Todos os temas relacionados a isso podem ser uma enorme oportunidade para o Instrumento de Garantia”, comenta Santana, do Santander.

“São produtos regulados e importantes que acabam alcançando concorrências distintas e demonstram um alto potencial de crescimento”, acrescenta o coordenador geral da Susep, César Neves.

Apesar do avanço nas novas modalidades, porém, o diretor executivo da FenaCap, Carlos Alerto Corrêa, pondera que a falta de segurança jurídica do modelo anterior ao marco regulatório ainda pesa em grandes seguradoras do setor.

“Os players maiores ainda não apostam porque é algo muito novo e é preciso um tempo para que a confiança no produto volte. Mas já estamos crescendo e isso só deve a aumentar. Estamos muito otimistas”, conclui o executivo.

Fonte: DCI