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Os desafios no caminho do crescimento do seguro de pessoas

26/02/2020

Desde que o seguro de pessoas ultrapassou o seguro de automóvel em volume de prêmios emitidos, há dois anos, que vem confirmando o seu potencial de crescimento. Em 2019, o segmento de pessoas cresceu 15%, alcançando R$ 172,3 bilhões. Com este volume em prêmios, o seguro de pessoas se tornou o principal contribuinte para o bom desempenho do setor segurador, que evoluiu 12,1% (sem considerar Saúde e DPVAT), seu melhor resultado desde 2012, com uma arrecadação total de R$ 270,1 bilhões, segundo dados apurados pela CNseg.

A evolução do seguro de pessoas e as perspectivas para o futuro foram analisadas por alguns dos diretores do CVG-SP. Para a maioria, alguns fatores foram determinantes para o bom desempenho do segmento, como a maior conscientização da população em relação à necessidade de proteger financeira, a estabilidade econômica, a reforma da Previdência e atuação dos corretores de seguros.

 

Para o diretor de Seguros do CVG-SP, Sergio Dias Pestana, a estabilidade econômica é a principal responsável pela ascensão do seguro de pessoas porque permite o planejamento financeiro e a elevação do patrimônio. “As pessoas passam a entender que sem proteção financeira terão de interromper ou extinguir os seus projetos”, diz. Ele acrescenta que a economia estável também é um forte instrumento para a disseminação da cultura do seguro.

 

 

 

Na percepção de Marcio Batistuti, presidente da Comissão Fiscal do CVG-SP, os brasileiros estão

pensando mais no futuro e, por consequência, mais conscientes do seu papel na execução de um sólido planejamento financeiro. Ele concorda com Pestana em relação ao estímulo que a estabilidade econômica traz ao seguro de pessoas, e acrescenta outros fatores, como o comportamental e a reforma da Previdência.

“A reforma colocou luz, além do planejamento para a aposentadoria, nas outras garantias do INSS, como a pensão por morte e invalidez. Isto contribui com o entendimento amplo de previdência, que é o de ser previdente, ou seja, de se precaver dos riscos que podem aparecer”, diz Batistuti.

 

 

A conscientização da população também é apontada pelo diretor Adjunto de Seguros do CVG-SP, Valmir Mongiat, como uma das razões para o crescimento do seguro de pessoas. “As pessoas estão se dando conta de que antes de proteger o seu patrimônio, mais importante é proteger a sua vida”, diz.

O trabalho dos corretores e os bons produtos das seguradoras são, também, na visão de Mongiat, responsáveis pelo desempenho do segmento, assim como o empenho de entidades do setor para trazer o assunto ao debate. “Este é o caso do CVG-SP, que não mede esforços para manter o seguro de pessoas em constante debate”, diz.

Ao analisar os números do segmento de pessoas, o presidente do CVG-SP, Silas Kasahaya, identificou o crescimento do seguro de vida como um indício de mudança no comportamento da carteira. Nos últimos anos, o seguro de vida individual tem crescido na média de 60%. Entre 2018 e 2019, este ramo cresceu 70%, saltando de R$ 3,2 bilhões para R$ 5,4 bilhões. Já o vida em grupo cresceu apenas 4,36% nesse período, com a arrecadação de R$ 10,2 bilhões em 2018 e R$ 10,7 bilhões em 2019, de acordo com dados da FenaPrevi.

 

“Vejo certa estagnação no seguro de vida coletivo, sobretudo os produtos empresariais, que sofreram o impacto da crise econômica. No seguro de vida individual, vejo que muitas seguradoras estão investindo e que os corretores também estão mais próximos, buscando mais informação e especialização no segmento para atender a demanda”, diz Kasahaya, que aponta uma tendência. “Se continuar nesse ritmo de crescimento, em dois anos o vida individual ultrapassará coletivo”, prevê.

Perspectivas

Os diretores do CVG-SP concordam que o seguro de pessoas tem grande potencial de crescimento e também alguns desafios pela frente. O presidente Kasahaya percebe que a segmentação como uma tendência. “Vejo as seguradoras com a preocupação de atingir públicos específicos, direcionando produtos, por exemplo, para alta, média e baixa renda”, diz.  Entretanto, o desafio, que não é novo, é comunicar melhor o consumidor. “Os segurados precisam entender os benefícios dos produtos e o valor agregado de cada um”, diz.

Marcio Batistuti destaca a importância do corretor de seguros de vida e previdência como importante meio de alavancar o setor e, do lado das seguradoras, a missão de zelar pelo portfólio.  “Cabe às seguradoras desenvolverem produtos cada vez mais modernos e flexíveis, que considerem as demandas da sociedade e que englobem, por exemplo, diferentes perfis e atividades profissionais”, avalia.

Sérgio Pestana vai além e afirma que o mercado precisa se reinventar. “O mercado precisa de soluções que atendam às necessidades de pessoas e dos setores produtivos. Esta reinvenção passa, portanto, pela oferta de novos produtos (para novos riscos), por processos e por soluções digitais e de autosserviço”, diz. Mas, ele aponta outro desafio imediato: “Construir um modelo simplificado, com foco no cliente, que possa ser massificado”.   

Novas tecnologias, inovações e mudanças regulatórias prometem transformar o seguro e impactar também o seguro de pessoas. Para Valmir Mongiat, o caminho de mudança é inexorável para o segmento. “Pode até haver alguma resistência, as mudanças acontecerão e em ritmo acelerado. Se a vida das pessoas está em constante mudança, o seguro que protege a esta vida também deve mudar e ainda mais rápido, para cumprir a sua função ou, então, não despertará o interesse”, afirma.

Fonte: CVG-SP | Texto: Márcia Alves